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29 maio 2019

FILATELIA: SAMUEL LUKE FILDES


Sir Samuel Luke Fildes, pintor e ilustrador britânico, nasceu em Liverpool em 3 de outubro de 1843 e faleceu em Londres, em 28 de fevereiro de 1927).  Pintor de diferentes quadros, além dos retratos da coroação de Eduardo VII, Alexandra da Dinamarca e outras figuras importantes do século XIX.

Como ilustrador trabalhou no jornal “The Graphic” mostrando a vida na Inglaterra de uma maneira clara e por vezes cruel, fazendo inúmeras ilustrações de cunho realista socialista mostrando imagens da vida em Londres. Uma de seus grandes desenhos foi publicado após a morte de Charles Dickens, mostrando a sala do escritor, porém com a cadeira vazia.









Na primeira edição do The Graphic, publicada em dezembro de 1869, Luke Fildes foi convidado a fornecer uma ilustração para acompanhar um artigo sobre o “Houseless Poor Act”. A imagem produzida por Fildes mostrou uma fila de moradores de rua pedindo ingressos para passar a noite no asilo.






Fildes logo se tornou um artista popular e em 1870 ele desistiu de trabalhar para o “The Graphic” e voltou sua atenção para a pintura a óleo, classificando-se entre os mais capazes pintores ingleses.









O famoso trabalho de 1887, “The Doctor”, retrata um médico em uma visita domiciliar. Ele está cuidando do filho doente de um trabalhador empobrecido; a cama é improvisada sobre duas cadeiras juntas. A figura central é o imponente médico olhando atentamente para o paciente, enquanto ao fundo o pai olha impotente com a mão sobre os ombros da esposa chorosa.

Existem histórias diferentes sobre as origens da pintura. Pode ter sido inspirado pela morte do filho mais velho de Fildes, Phillip, que morreu na manhã de Natal de 1877, com a presença de um Dr. Murray, que impressionou Fildes com o cuidado e atenção que ele deu a seu filho moribundo. A pintura mostra como o médico está observando seu paciente com gentileza, carinho e atenção.



A foto recebeu muitos elogios dos críticos contemporâneos: O “British Medical Journal”, em 1892 publica: “O que não devemos ao sr. Fildes por mostrar ao mundo o típico médico,  um homem honesto e um cavalheiro, fazendo seu melhor para aliviar o sofrimento?”

Mitchell Banks, MD, (1893), Professor de Anatomia da Royal Infirmary, Liverpool: “Uma biblioteca de livros escritos em nossa homenagem não faria o que esta imagem tem…” 

Na prática médica a relação médico-paciente de maneira humilde, respeitosa e confortante tem muito mais valor do que a aplicação do conhecimento científico. Estas duas partes da consulta não devem se contrapor, mas se unir para oferecer ao paciente o melhor desta arte. O excesso de tecnologia predispõe os médicos a neglicenciar seus pacientes pela falta de atenção, tornando esta relação em um acontecimento meramente técnico.

A pintura “The Doctor” foi reproduzida em selo dos Estados Unidos da América do Norte em 9 de junho de 1947 e utilizada por diversas associações médicas como símbolo em seus congressos e simpósios.
Samuel Lukes Fields, deixou um recado aos médicos há mais de cem anos atrás. Hoje, no momento em que se fala em telemedicina e inteligência artificial, em altas tecnologias de acesso somente a determinadas classes sociais, qual seria a opinião do médico da pintura?





Cartão Postal com a pintura “The Doctor” e o respectivo selo.



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Por: Roberto Antonio Aniche
Médico, escritor e filatelista


09 março 2015

Sealand, o menor país do mundo

Por 
ROBERTO ANTONIO ANICHE
Médico, Escritor e Filatelista
São Paulo - SP
aniche@uol.com.br







SEALAND, O MENOS PAÍS DO MUNDO

GEOGRAFIA
Sealand é um principado não reconhecido pela ONU (e por nenhum estado reconhecido) localizado numa base naval inglesa no Mar do Norte e abandonada após a Segunda Guerra Mundial, a 6 milhas (cerca de 11 quilometros) da costa de Sufolk, Inglaterra. O único acesso à base é feito por helicópteros, já que o mar revolto impede a aproximação de navios.

Antes chamada de Rough Towers, a base foi uma defesa marítima contra ataques alemães, consistindo em duas grandes torres com capacidade para 200 soldados,  desativada assim que a guerra acabou.



HISTÓRIA
A instalação foi ocupada em 1965 (há relatos de ter sido em 1967) pelo ex-major britânico Paddy Roy Bates: seus associados e familiares afirmam que é um estado independente e soberano. Comentaristas externos geralmente classificam Sealand como uma micronação ao invés de um estado não reconhecido. Roy Bates era um excêntrico que ocupou a base navegando em seu barco frigorífico e instalou alí uma rádio pirata (Rádio Essex), sabendo-se protegido, já que a base estava fora do alcance das águas territoriais britânicas (até 3 milhas da costa), portanto, em águas internacionais.

Em 1987 o Reino Unido declarou como águas territoriais o entorno de nove milhas de sua costa, englobando Seland. Em 1990-91 o Reino Unido apresentou evidencias em um tribunal administrativo norte-americano, que considerou que o principado jamais existiu. A família Bates não contestou, afirmando que norte americanos não tem jurisdição para determinar a legitimidade de outros estados.

Embora tenha sido descrito como menor nação do mundo, Sealand não está oficialmente reconhecido como um Estado soberano por nenhuma nação. Seu “proprietário” Roy Bates afirma que é de fato reconhecida pela Alemanha (foi visitado por um embaixador) e pelo Reino Unido (depois que um tribunal Inglês determinou que não têm jurisdição sobre Sealand).


O governo britânico já pensou em retomar a base, no entanto ela é considerada como moradia de uma família britânica, portanto propriedade privada, além de não ter efeito positivo sobre a imagem do país.

Tecnicamente falando, Sealand é um país sem território real. O “país” emitiu passaportes e tem operado como uma bandeira do estado de conveniência, além de deter o recorde mundial do Guinness para “a menor área para reivindicar a condição de nação”.

Sealand não é um membro da União Postal Universal (UPU), pois o seu endereço para o interior é uma caixa postal no Reino Unido, portanto os selos de Sealand devem ser considerados como cinderelas*.

Em 1974 Roy Bates, autoproclamado Príncipe de Sealand, criou uma constituição, um hino e uma bandeira, cunhando moedas de prata e imprimindo selos para correspondências.

Em 1978 um grupo de empresários alemães e holandeses, liderados pelo primeiro ministro de Sealand, Alexander G.achenbach, na ausência de Roy Bates, encenou uma invasão, inclusive sequestrando seu filho e tornando todos os moradores seus reféns. Roy Bates conseguiu recuperar seu “país” prendendo e expulsando os invasores, utilizando-se de um helicóptero com armamentos. Os invasores foram considerados prisioneiros de guerra e repatriados. No entanto um advogado alemão portador do passaporte de Seland foi considerado traidor. A sua libertação exigiu a presença de um embaixador alemão no principado, já que a Inglaterra não pode interferir na negociação.


Em 1999 o príncipe Michael, sucedeu seu pai Roy Bates que tinha idade avançada e problemas de saúde e decidiu colocar o “país” à venda em 2007, até agora sem compradores (há uma tentativa do Pirate Bay, site de pirataria, comprar para instalar lá os seus servidores, ainda não concretizada). 

Em 2008 o “território” sofreu um grande incêndio, mas preservando os geradores de energia, sendo novamente reconstruido.

ECONOMIA
A economia do principado é baseada na emissão de passaportes, venda de títulos de nobreza, selos de correio, moedas, e-mails, direitos de posse de “pedaços do território”, brindes e lembranças, além do turismo local. Os habitantes moram em instalações de aço, sujeitos ao barulho de geradores durante todo o tempo. O acesso é feito de helicóptero e visitas com hospedagem podem ser marcadas para turismo. 



Curiosamente Sealand mantém um time de futebol. Roy Bates faleceu em 9 de outubro de 2012 aos 91 anos. Apesar de não ser considerado um estado pela ONU, nem estar vinculado à UPU, os selos e envelopes de Sealand são disputados como curiosidades ou mesmo preciosidades. Uma busca simplificada no eBay apresentou 56 resultados, enquanto no Delcampe cerca de 80, incluindo envelopes circulados, selos e blocos.


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Bibliografia:
Guinnes Book 

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05 agosto 2014

O extinto pássaro Dodô

Por 
ROBERTO ANTONIO ANICHE
Médico, filatelista e escritor
São Paulo - SP
aniche@uol.com.br








O EXTINTO PÁSSARO DODÔ

O Pássaro Dodô,  também chamado de Dronte (Raphus cucullatus) foi uma ave não voadora extinta das Ilhas Maurícias, uma das ilhas Mascarenhas na costa leste da África, perto de Madagascar, no Oceano Índico. A ave mais próxima geneticamente foi a também extinta solitário-de-rodrigues, também da subfamília Raphidae da família das pombas; sendo que a mais semelhante ainda viva é o pombo-de-nicobar.

O Dodô tinha cerca de um metro de altura e podia pesar entre 10 e 23 quilos. A aparência externa é conhecida apenas por pinturas e textos escritos no século XVII, e por causa dessa considerável variabilidade a aparência exata é um mistério.  Pouco se sabe com exatidão sobre o habitat e o comportamento, pois há poucos e discordantes textos descritivos: plumagem cinza acastanhado, pata amarela, um tufo de penas na cauda, cabeça cinza sem penas, e o bico de cerca de 23 centímetros, amarelo e verde.


A moela ajudava a ave a digerir os alimentos, incluindo frutas, e acredita-se que o principal habitat tenha sido as florestas costeiras nas áreas mais secas das Ilhas Maurícias. As pedras da moela do Dodô eram de basalto (segundo alguns textos) e não existiam no local onde tinham sido desenterrados os ossos do Dodô, mas a milhas de distância. Essa pedra ia crescendo à medida que crescia a moela, até atingir proporções do tamanho de um ovo de galinha. A pedra da moela dos Dodôs era a preferida para amolar facas! 

Presume-se que o Dodô tenha deixado de voar devido à facilidade de se obter alimento e à relativa inexistência de predadores nas Ilhas Maurícias.

A primeira menção ao Dodô que se conhece foi através de marinheiros holandeses em 1598 (os portugueses visitaram a ilha em 1507, mas não fizeram relatos da ave). Nos anos seguintes, o pássaro foi predado por marinheiros famintos; seus animais domésticos e espécies invasoras que foram introduzidas durante esse tempo alimentavam-se dos ovos nos ninhos. A última ocasião aceita em que o Dodô foi visto data de 1662. A extinção não foi imediatamente noticiada e alguns a consideraram uma criatura mítica. No século XIX, pesquisas conduziram a uma pequena quantidade de vestígios, quatro espécimes trazidos para a Europa no século XVII. Desde então, uma grande quantidade de material subfóssil foi coletado nas Ilhas Maurício, a maioria do pântano Mare aux Songes. 



A extinção do Dodô em apenas cerca de um século após seu descobrimento chamou a atenção para o problema previamente desconhecido da humanidade, envolvendo o desaparecimento por completo de diversas espécies.

As primeiras descrições conhecidas destas aves foram feitas pelos holandeses, que chamaram o pássaro mauriciano de walghvogel ( “pássaro chafurdador” ou “pássaro repugnante”), em referência ao seu gosto. Embora muitos escritos posteriores digam que a carne era ruim, os primeiros jornais apenas diziam que a carne era dura, mas boa, embora não tão boa como a dos pombos, abundantemente disponíveis. O nome walgvogel foi usado pela primeira vez na revista do vice-almirante Wybrand van Warwijck que visitou a ilha em 1598 e denominou-a Maurícia.


Alguns autores atribuem o nome Dodô à palavra holandesa dodoor para “preguiçoso”, mas ele provavelmente está relacionado à palavra dodaars (“nó-bunda”), referindo-se ao nó de penas sobre o traseiro do animal. O primeiro registro da palavra dodaerse está no relato do capitão Willem van Westsanen de 1602.  Thomas Herbert usou o termo Dodô em 1627, mas não está claro se ele foi o primeiro a vê-lo, pois os portugueses já haviam visitado a ilha em 1507, embora não tenham mencionado a ave. De acordo com o Microsoft Encarta e o Chambers Dictionary of Etymology, Dodo seria derivado do português arcaico doudo (atualmente doido). Também há textos afirmando que o nome foi uma aproximação onomatopaica do som que elas produziam, um piado de duas notas, que soava como “doo-doo”.

O último Dodô foi morto em 1681, e não foi preservado nenhum espécime completo, apenas uma cabeça e um pé. Os restos do último Dodô empalhado conhecido tinham sido mantidos no Ashmolean Museum em Oxford, mas em meados do século XVIII, o modelo - salvo as peças ainda existentes hoje - estava completamente estragado e foi jogado fora.

Em 1681, menos de 100 anos depois da chegada dos holandeses à ilha, o Dodô foi declarado oficialmente extinto. Hoje, tudo o que resta do animal são esqueletos em museus na Europa, nos Estados Unidos e também em Maurício. A ciência garante que três espécies de Dodô se extinguiram nas três ilhas nos três últimos séculos, e que só uns treze animais vivos viajaram das Mascarenhas para outras partes do mundo, entre elas um para o Japão. 

Por fim, o Pássaro Dodô ficou imortalizado por fazer parte do desenho animado Alice no País das Maravilhas, de Walt Disney, sendo parte da cultura popular, frequentemente como um símbolo da extinção e obsolescência, sendo frequente o seu uso como mascote das Ilhas Maurício.



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PARA SABER MAIS
O autor é membro da Sociedade Philatélica Paulista. Saiba mais sobre filatelia e conheça coleções de selos, exposições e palestras filatélicas de Roberto Antonio Aniche: 

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