04 junho 2014

Quanto custa a ignorância?

Por 
LU PUPIM
Consultora educacional, empresarial e social
Vitória - ES
lupupim@hotmail.com








QUANTO CUSTA A 
IGNORÂNCIA?

Ignorância é uma questão de consciência ingênua ou a ausência de consciência crítica? Este tema desfila em minha mente há muito tempo. O estímulo despertador veio do nosso grande mestre Paulo Freire, na abordagem dos comportamentos observáveis das consciências: ingênua e crítica.

Pela amplitude do tema, fica difícil dar conta. Até porque quantificar ou qualificar a ignorância humana é o mesmo que surfar nas ondas mais nervosas e revoltas das ideias.


Para tornar mais didática a explanação, faz-se necessário dirigir a análise para uma reflexão de pensamentos construtivos de ações que possam sensibilizar algumas estruturas que porventura permeiam o campo manipulativo de podres-poderes.



Para situar a ignorância na visão da consciência ingênua, alguns reflexos podem ser percebidos por meio de atitudes individuais reveladas como:

* Daqueles que sofrem de cegueira mental, que jamais questionam os pressupostos sistemas e crenças da comunidade na qual estão inseridos (normalmente são mentes fechadas por convicções íntimas e velhas ideias, mas que nunca foram testadas).
* A pobreza política que Pedro Demo trata como sendo ela um problema mais profundo do que a carência material, pois, segundo ele, passar fome é uma grande injustiça, mas injustiça ainda maior é não chegar a perceber que a fome é produzida e imposta.
Completando com a citação de Demo: “A importância estratégica da educação está no combate à pobreza política, à medida que for crítica e reconstrutiva, estabelecendo um dos caminhos mais efetivos da emergência do sujeito histórico capaz de desenvolver projeto próprio coletivo.”

A título de contribuição e aproveitando a fundamentação de Paulo Freire, pode-se citar algumas características dos acometidos da ignorância na visão da consciência ingênua:

* Tendência a um simplismo, tanto na interpretação dos problemas, quanto na maneira de encarar os desafios;
* Culto aos fatos passados, colocando-os como referencial para um presente que se quer construir;
* Tendência para aceitar e agir de forma condicionada - massificadora. Muitas vezes esta tendência pode até levar ao desenvolvimento de uma consciência fanática;
* Não se submete à investigação; sua concepção científica é um jogo de palavras; suas explicações são carregadas de magia;
* Parte do princípio que possui um conhecimento amplo, porém seus argumentos são frágeis;
* Polêmico, porém não esclarece por falta de profundidade.

O tema também demanda abrir um espaço para abordar alguns aspectos da consciência crítica vista como o outro lado do combate à ignorância. No entanto vale à pena ressaltar que, em nível de discurso institucional, deve-se prestar atenção na sua conotação, pois normalmente a consciência crítica exige uma prática das atitudes de divergência operando por meio de uma verdadeira “ginástica de alongamento” em favor dos processos de recepção cognitiva na inteligência das pessoas. Além de encorajar o “novo olhar”, isso eleva o patamar crítico delas, libertando-as da falta de rumo que é a mãe da infecundidade.

Quais indicações possíveis poderiam ser experienciadas?

* O exercício permanente do homem é aprender porque só assim ele pode tornar-se genial por meio do conhecimento;
* Abrir as mentes para assimilar novos conceitos, concepções e construir novos conhecimentos;
* Reconhecer a mutação da realidade;
* Indagar, investigar, provocar, interagir;
* Repelir posições passivas;
* Valorizar o diálogo e fazê-lo nutriente essencial do seu viver;
* Amplificar a percepção e ampliar as redes relacionais.

Como contextualização da ignorância, a melhor opção é colocá-la como sendo matéria prima do saber, desde que haja conscientização da responsabilidade na eliminação de barreiras, diferenças, separações, pois o saber é um ato de união. Lembrando também, a título de comparação, que é através das ruínas do psiquismo que se constrói a verdadeira alegria de viver.

Pode-se neste momento dispensar o alongamento da discussão e sugerir ao prezado leitor que busque a melhor modalidade de investimento para o seu capital potencial do saber. De preferência, privilegiando o seu encontro consigo mesmo, sem precisar para isso pagar um alto preço pela destensionalização da ignorância que, de certa forma, será um ponto de partida saudável para se buscar o saber ser em toda plenitude existencial.


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2 comentários:

Sítio Casarão disse...

Deus nos livre da "santa ignorância"!
Parabéns pelo artigo.

Sds.

VERA M LIMA disse...

Parabéns Lu pelo artigo, quanta reflexão podemos fazer sobre o assunto e você disse tudo.


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