05 setembro 2014

Drogas

Por 
CARLOS AUGUSTO GALVÃO
Psiquiatra      
São Paulo - SP
carlosafgalvao@terra.com.br








DROGAS

Inicialmente se faz necessário retirar este rótulo da juventude: há muito que as drogas ilícitas estão disseminadas por todos os extratos sociais, todas as faixas etárias, enfim espalha-se por toda a humanidade. Então é profundamente injusto ver o uso de entorpecentes como atividade própria dos jovens. 

Em meu consultório, não é raro aparecerem pessoas com mais de 50 anos, em busca de apoio psiquiátrico para livrar-se de dependências químicas, pessoas que, porém, conseguem trabalhar, manter um nível social adequado, mas que devido à dependência, assustam-se com o futuro e com a possibilidade de “perderem o controle”. Todos comungam  com o medo do que pode acontecer caso não haja êxito terapêutico. 


Morrem de medo do escândalo social caso sejam descobertos, das implicações jurídico/criminais (que pode arruinar uma reputação), da fragilidade a que se expõem na hora de comprar estas substâncias, das balas dos traficantes... Tenho observado, sim, que o indivíduo, na grande maioria dos casos, chega à maturidade trazendo um vício adquirido na juventude.

Podemos dizer, no entanto, que os adolescentes são os mais expostos à incidência dessas afecções, por uma série de fatores oriundos das próprias características da juventude (curiosidade, instabilidade emocional, imaturidade, aventureirismo etc...) ; então todas as formas de combate à drogadição devem ter como alvo prioritário o público jovem devido à vulnerabilidade desta faixa etária, e aí entra a família como importante ator tanto na profilaxia quanto na terapêutica deste flagelo da humanidade.

Também é comum receber, em meu consultório, pais alarmados com filhos que mudam bruscamente de comportamento, declinam no rendimento escolar, tornam-se agressivos e irritadiços... Imaginam logo que o rapaz (ou a moça) estão envolvidos com entorpecentes.

Há famílias com dificuldades imensas de comunicação entre as gerações, o que dificulta muito a observação e identificação de problemas nos mais novos, e aí pode estar o “caldo de cultura” favorito para o surgimento da afecção. 

Manter diálogo com os filhos, procurar entender seus gostos e desgostos, suas aflições (muitas vezes insignificantes quando observadas de fora), suas atividades e comportamentos tanto escolares quanto fora da escola, e, sobretudo, seus amigos e sua “turminha” é muito importante para manter a saúde social de uma família de uma maneira geral, e detectar o surgimento de problemas com os jovens, inclusive drogadição. 

Há, porém, que se manter o bom senso de não agredir o filho com observação muito ostensiva, que pode simplesmente fazer efeito contrário (o jovem passa a se esconder) e quebrar o diálogo.

Não dá para erradicar esta doença do planeta sem o engajamento profundo das famílias, em interação com as autoridades sanitárias. 




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OPINIAS - Ed.04 - Setembro 2014
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