29 dezembro 2014

Aventura em duas rodas

Por 
CLAYTON CÉSAR AGUIAR
Tecnólogo de Processos
São Bernardo do Campo - SP
claytoncesaraguiar@gmail.com








AVENTURA em duas rodas

Moto e liberdade são duas coisas que sempre andaram juntas na imaginação do homem. E talvez seja o maior apelo “marquetológico” de muitas marcas: pegar a estrada, deixar os problemas para trás, experimentar o novo, a liberdade, o desconhecido. Para os fãs, Neil Peart, baterista da banda Rush escreveu o livro “Estrada da Cura”, onde relata suas mais de 55.000 milhas de estradas sobre sua BMW R1100GS após um período trágico em que perdeu sua esposa e filha, buscando retomar sentido à vida. Há este estado de espírito que se alcança ao se deparar com a estrada.

Além da liberdade, há também um ar de rebeldia que se pode alcançar ao rodar de moto. Desde “Easy Rider”, filme de 1969, muita gente se identificou com o jeito rebelde e diferente de dizer ao mundo “estou cansado de suas regras, quero ser eu mesmo”. Um jeito estiloso de não dar a mínima para o que te dizem, ou talvez simplesmente pegar a estrada para esquecer o mundo de obrigações e compromissos.

Seja qual a razão, ou mesmo a combinação de ambos, fato é: em 2012 quando comprei minha primeira moto, já aos 33 anos de idade, eu sabia que tinha achado o hobby que tanto estava procurando. Meu estilo é estradeiro, assim como a maioria dos meus amigos motociclistas. Velocidade não é com a gente! Gostamos de ver a paisagem, curtir as curvas, sentir as diferentes temperaturas. Gostamos da visão panorâmica que a moto nos proporciona. Fácil concluir então que a alegria do motociclista estradeiro é a combinação de dois elementos: moto e estrada. E a busca pela estrada perfeita é tão ou mais romântica que a busca do surfista por sua onda. 

Com o advento da internet, ficou mais fácil pesquisar os roteiros mais famosos e incríveis do mundo. Vários deles estão nos Estados Unidos. Em uma de nossas muitas voltas pelo interior de São Paulo num fim de semana, a ideia surgiu: vamos até lá! 


Desde “Easy Rider”, filme de 1969, muita gente se identificou com o jeito rebelde e diferente de dizer ao mundo “estou cansado de suas regras, quero ser eu mesmo”.







A PREPARAÇÃO
Aproveito para mais uma vez agradecer a Internet. Como a vida ficou mais fácil! Decidimos fazer tudo por conta própria: roteiro, hotéis, pontos de interesse, aluguel das motos. Existem agências especializadas neste tipo de roteiro, onde se pode comprar um pacote completo, com tudo incluso, inclusive carros de apoio. Onde está a aventura quando se tem uma van com água gelada te acompanhando o tempo todo?


Pegando as motos na agência

Os dois roteiros mais conhecidos são a famosíssima Rota 66, que une a costa Leste à Oeste, e a “Highway 1”, em seu trecho mais famoso entre São Francisco e Los Angeles. A Rota 66 tem quase 4.000km e requer algo como oito dias de viagem. A Highway 1, neste trecho mais famoso, tem algo como 800km. Difícil decisão a se tomar, já que ambas são muito bonitas e famosas e oferecem paisagens bem diferentes. Enquanto a Highway 1 é costeira e proporciona uma das melhores vistas do pacífico, a Rota 66 cruza o deserto americano, a região de Canyons e regiões de floresta, cidades. Difícil escolha... mas, por que escolher uma quando se pode ter as duas? Olhamos o mapa, imaginamos o roteiro e decidimos que poderíamos fazem ambas, com a condição de não percorrer toda a Rota 66.

Daí em diante, a preparação foi toda pela internet: usamos mapas para determinar cidades das paradas, fizemos reservas de hotéis pela internet, buscamos agências de locação de motos.

O PASSEIO
Nosso primeiro destino foi São Francisco. Pegaríamos as motos lá, mas resolvemos ficar alguns dias para aproveitar a cidade. Ótima cidade, cheia de diversidade e lindas paisagens: Ilha de Alcatraz, Golden Gate bridge e Lombard Street, a rua mais sinuosa do mundo. Aproveitamos para ir até uma das lojas da Harley em São Francisco. Para os entusiastas, o banho de loja dos sonhos: muita variedade de artigos e preços americanos! 


A turma toda na Highway 1 (da esq.p/dir): Fernando Gonsalez, Giliard Guerreiro, 
Sidnei Silva, Marcos Reis, Juliana Beliago, Karin Elbers e Clayton Aguiar

No terceiro dia, chegamos à agência para pegar as motos. Alugamos 5 motos, sendo 4 Electra Glide e 1 Street Glide. As motos são muito mais pesadas daquelas que  estávamos acostumados. Somando as malas, a coisa ficou bem pesada, o que me resultou no meu primeiro tombo de moto... foi difícil segurar a moto e com pequena inclinação, chão! Mas sem maiores complicações, tínhamos contratado seguro completo e a moto sofreu apenas arranhões. Bom para aprender. Pegamos as motos dali e direto para estrada. Na estrada, as motos mostram seu talento: muito confortáveis e estáveis, garantindo tranquilidade e prazer para trechos longos. O primeiro dia usamos para chegar até o primeiro destino: Monterey. A aventura estava prestes a começar!


HIGHWAY 1
De Monterey a Los Angeles, pelos próximos dois dias, seguimos pela Highway 1. Quando a primeira vista da costa se abriu... uau! Entendemos por que esta é uma das estradas com a vista mais bonita do mundo. A costa do pacífico nesta região é bem diferente das imagens de costa que temos no Brasil: sem praias, região seca e montanhosa e a estrada em um aclive que dá quase que direto na água. Em Big Sur, há uma cachoeira que cai direto na água do mar!

Graças ao roteiro que a locadora de motos customizou para nós, fizemos várias paradas pelo caminho em parques, dunas, mirantes (view points). Já tinha valido a pena.

Chegamos e passamos dois dias em Los Angeles para conhecer a cidade, com direito a uma voltinha estilosa de moto pela Hollywood Boulevard à noite.

Quando a primeira vista da costa se abriu... uau! 
Entendemos por que esta é uma das estradas 
com a vista mais bonita do mundo.

HIGHWAY 2
Aqui vale uma pequena explicação sobre a Rota 66. Esta rota é muito antiga e foi “engolida” pelas cidades e novas estradas. Já assistiu o desenho “Carros”? Pois é exatamente como descrevem. Hoje em dia, portanto, você vai até o Pier de Santa Monica, onde a clássica placa de fim da Rota 66 está, mas não consegue segui-la, pois ela se transformou nas ruas da cidade hoje, ou foi sobreposta por prédios. Você só vai achar a histórica Rota 66 bem depois de Los Angeles.

Portanto, a rota sugerida pela agência foi a Highway 2, que começa ao norte de Los Angeles e segue em direção Leste, onde mais tarde encontraríamos a Rota 66. Bom, você já tinha ouvido falar da Highway 2? Nós também não, ela não é famosa por aqui, mas foi a maior surpresa da viagem! Que estrada! Ao chegarmos nela, em um domingo de manhã, já vimos uma quantidade enorme de motos passando por nós no sentido contrário e mais um bocado na nossa mesma direção, indicação excelente para qualquer motociclista que tínhamos acertado. A estrada é hiper sinuosa e sobe até uma altitude de mais de 8.000 pés! 

Chegando ao fim, era possível avistar a vastidão do deserto que nos esperava. Alguns dos amigos de viagem a elegeram como o melhor trecho da viagem. Terminamos este trecho passando por San Bernardino National Park até chegarmos à lendária Rota 66.




Você já tinha ouvido falar da Highway 2? 
Nós também não, ela não é famosa por aqui, 
mas foi a maior surpresa da viagem!



ROTA 66
Fomos encontrar a Rota 66 bem distantes de Los Angeles, já no trecho inicial de deserto. Assim como no desenho, neste trecho ela roda paralela à nova 15. Mas, claro, ficamos na Rota 66 pelo glamour. O que encontramos nos deu certa tristeza: a 66 está mesmo abandonada, com rachaduras e oferece até certo perigo para o motociclista. Uma grande pena.

Chegamos em Barstow, onde passamos a noite, para no dia seguinte seguirmos a Rota 66. Paramos para tirar as famosas fotos com o emblema da estrada, o que dá para fazer com tranquilidade já que praticamente ninguém usa a estrada hoje em dia. O visual é emblemático e nos sentimos como nos filmes. Valeu muito a pena.

A temperatura já estava nos 39 graus quando pegamos o caminho do deserto de Mojave, palco de vários filmes de extraterrestres, laboratórios secretos subterrâneos e as famosas “Joshua Tree”, título de um dos discos mais famosos da banda U2.

Este trecho foi muito bonito mas talvez o mais pesado. Foram quase 3 horas de deserto, com a paisagem variando muito pouco, altíssima temperatura e sem nenhum ponto de parada. Ah, não pense em deserto aqui como no Saara, somente com areia. O deserto nos Estados Unidos é caracterizado pela vegetação seca e altas temperaturas, sem areia. As estradas são de asfalto, apesar de a temperatura provocar rachaduras.

Nosso destino final se aproximava, Las Vegas. Chegamos bem e cansados, e deixamos para aproveitar a cidade mais à noite. O que fizemos em Las Vegas? Não é o foco aqui. Além do mais, o que acontece em Vegas... 

A temperatura já estava nos 39 graus quando pegamos 
o caminho do deserto de Mojave, palco de vários filmes de extraterrestres.




CONCLUSÕES
Todos voltamos extremamente satisfeitos e felizes desta viagem. Terminamos uma grande aventura com segurança, sem nenhum acidente, e tendo experimentado o que há de melhor em viagens de moto: paisagens exuberantes, mar, estradas sinuosas, deserto. Em 8 dias conseguimos variar e muito o palco de nossas aventuras.

Unanimidade entre nós foi o fato de termos acertado em fazer toda a viagem por nossa conta, sem apoio de agências. Tivemos liberdade de horários e itinerário e pudemos satisfazer vontades individuais ou coletivas como bem quiséssemos. 
Por fim, um agradecimento especial à California Motorcycle Rental por ter dado um toque especial ao nosso roteiro, indicando paradas e dando dicas de locais e trechos que não conheceríamos se não fosse a indicação deles.


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2 comentários:

Eliana disse...

Parabéns! Obrigada por ter permitido que eu fizesse um pouco da viagem com vocês.
Eliana

Anônimo disse...

Que bela aventura! Revista impecável e artigos interessantíssimos.
Léo Viçosa

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