23 janeiro 2015

Serra da Capivara - um Brasil desconhecido

Por 
JOÃO BAPTISTA ALENCASTRO
Médico, escritor e aventureiro
Goiânia - GO
jbalencastro@uol.com.br








SERRA DA CAPIVARA, UM BRASIL DESCONHECIDO

Dentro do Piauí, ao lado de São Raimundo Nonato, está uma região de caatinga muito especial. A Serra da Capivara, patrimônio mundial da UNESCO. Simplesmente o mais incrível conjunto de pinturas rupestres de todo o mundo, além disso um museu ultramoderno (Museu do Homem Americano) e uma fauna e flora ricas e marcadas pela diversidade. 

Não posso dizer que é fácil chegar lá. Não tem aeroporto e as estradas são árduas, mas vale, vale cada trilha que você fizer, cada xique-xique, cada mandacaru, cada coroa de frade, rabo de raposa, facheiro ou quipá que você avistar. Para quem não sabe, são cactáceas que abundam no local. 


Comece pela Serra Vermelha que ao lado tem o Buraco das Andorinhas. Elas – aos milhares – se recolhem ao final do dia, fazendo um barulho idêntico a um míssil. A subida nas pedras de arenito não é difícil, mas exige pernas fortes. Aliás, em alguns lugares o peito cheio de gás será necessário. Porém a vista de cima, de qualquer paredão é de encher os olhos nos dias sempre claros do Nordeste brasileiro.


Sugiro também uma volta no Rupestre e uma paradinha na cerâmica local. Mesmo o mais arredio mochileiro não conseguirá deixar de comprar algo. É belo o trabalho artesanal. Além dos corrupiões que por ali voam sem cerimônia e dos belos galos da campina, com seu topete vermelho rubi. A caatinga é cheia de vida!




Então vá para o principal. A Pedra Furada e o Baixão do Rodrigues. As pinturas não estão em cavernas, como em Lascaux que é uma besteirinha de 300 metros, no máximo. Aqui são quilômetros de inscrições a céu aberto, com variações mil, de animais locais, de figuras humanas, de atividades, todas claras, grandes e coloridas. Pode passar também na Jurubeba, no Baixão da Pedra Furada. Até arriscar ir à Invenção – a subida é pesada – e no Baixio das Mulheres, que o espetáculo é garantido.




Infelizmente essa maravilha está mocozada no meio do nada. Aliás, mocó é um roedor local que se entoca muito bem. Porém nós temos que olhar para nós mesmos. Galgar rochas e se deslumbrar com o que temos. E de todo modo enfrentar até uma buchada de bode com palma cortadinha para provar que o sulista aqui é porreta! E sabe que dentro do Brasil existem riquezas inexploradas e prontas para serem vistas. 


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Saiba mais: FUNDAÇÃO MUSEU DO HOMEM AMERICANO
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