09 março 2015

Convulsões & revoluções

Por 
CARLOS AUGUSTO GALVÃO
Psiquiatra      
São Paulo - SP
carlosafgalvao@terra.com.br








CONVULSÕES & REVOLUÇÕES

UMA DAS ATIVIDADES mórbidas mais horrorosas de se observar é um ser humano convulsionando. O indivíduo perde a consciência, apresenta quedas (onde é comum machucados de maior ou menor gravidade devido a estas quedas) e debate-se em movimentos anárquicos. Para um leigo que observa é a própria morte acometendo este indivíduo. Trata-se de uma manifestação clínica que acusa, ou uma doença convulsiva (epilepsia), ou um sintoma de que algo está agredindo o sistema nervoso do acometido. 

Nas sociedades humanas observamos estados de sublevação ou desobediência que gera movimentos denominados de convulsões sociais (talvez em analogia a anarquia que se observa em uma convulsão), quando os liderados começam a desconfiar dos líderes. Nestes casos observamos queda na produção, desobediência e multidões revoltadas nas ruas, reagindo ao que consideram injustiças ou desonestidade dos que dirigem esta sociedade. Geralmente tais movimentos terminam em revoluções, que pode ser sintetizada na troca traumática dos dirigentes, geralmente “temperadas” com violência, mortandades e lutas encarniçadas entre as forças políticas rivais. 

Na história da humanidade observa-se, desde o início, estes movimentos revolucionários, com causas muito variadas, mas todas com as características de revolta e indignação das comunidades onde acontecem. A primeira de que se tem notícia, aconteceu no Egito antigo, quando um Faraó de nome Akinaton rompeu com a religião do império, e criou outra, monoteísta, que tinha o sol como deus supremo. Poucos anos depois, os religiosos marginalizados, ressurgiram com violência, causaram muitas mortes e terminaram com esta dinastia, iniciando outra, a dinastia de Ramses que era o comandante armas de Akinaton. 

A Liberdade Guiando o Povo (Delacroix - 1830
Louvre - Paris

Ainda hoje, muitos milênios depois, as revoluções ainda acontecem pelas mesmas causas. O mundo atual apresenta conflitos por religiões, por economia e por injustiças. Risco que nenhuma sociedade está imune. No Brasil, observamos muitos movimentos revolucionários, de sublevação e mesmo de convulsão social. A província do Pará, em 1835, com sua população desencantada com os rumos da independência de Pedro I, revoltou-se, tomou Belém do Pará e rompeu a ordem política do império, elegendo diretamente seus dirigentes. O movimento durou cerca de 2 anos, e terminou com mais de 50.000 mortos numa população de pouco mais de 100.000 habitantes. 

Repete-se no Brasil de hoje todas as condições para revoltas sociais que podem levar à uma convulsão social. Um governo ainda em seus primeiros dias, mas que perdeu quase a totalidade do apoio que o elegeu, enfrentando gravíssima crise econômica, e uma percepção aguda de que algo vai acontecer. Preocupa e muito as perspectivas e urge que a nação, nestes difíceis caminhos que ora trilha, mantenha a cabeça fria para que as mudanças exigidas (em especial a decência, a honestidade e a dignidade), sejam conseguidas sem, ou com um mínimo, 
de traumas.
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