29 dezembro 2014

Ansiedade, esta velha companheira

Por 
CARLOS AUGUSTO GALVÃO
Psiquiatra      
São Paulo - SP
carlosafgalvao@terra.com.br









ANSIEDADE, esta velha companheira

A ansiedade é uma sensação desagradável que revela um estado de desconforto, seja por acontecimentos, seja por expectativas, seja por perdas. Trata-se de um sentimento normal no psiquismo humano e que pode ser considerado um mecanismo de defesa; situações ansiogênicas levam o indivíduo a procurar resolvê-las ou fugir delas. 

Mas existe também a ansiedade patológica, aquela que independe de infaustos ou causas conhecidas, assola o indivíduo de forma extremamente sofrida e leva a um descontrole do soma humano causando somatizações, que são doenças derivadas do estresse, que é a consequência deste estado de espírito. 

Chamamos, na medicina, este estado de “Ansiedade Generalizada”, que também pode ocorrer após um trauma psíquico ou físico de grandes intensidades, quando então a tal ansiedade fisiológica dá lugar à ansiedade patológica. 

Ainda não sabemos por inteiro o mecanismo da ansiedade. Sabemos que há maior liberação de adrenalina nos indivíduos expostos, mas ainda engatinhamos no estudo dos neurotransmissores responsáveis; porém para as ansiedades patológicas ou mesmo as muito intensas, já temos tratamento e assim, como proteger o organismo do indivíduo. Sabe-se, todavia, que a ansiedade acompanha o homem desde que este apareceu na face da terra.

Em algumas cavernas onde habitaram homens do período paleolítico, vemos desenhos de seres humanos em diversas atividades: pesca, caça... mas também observamos figuras de pessoas em franca posição de ansiedade: mãos na cabeça, posições de fuga... e por aí. 



Há uma corrente que afirma ser a ansiedade a mãe da inteligência humana, pois obriga o homem a exercer sua imaginação criativa para evitá-la. Hoje pela manhã vivenciei um exemplo da importância da ansiedade nas atitudes humanas. Na América pré-colombiana, uma cidade Maia foi abandonada bruscamente por sua população, aparentemente a “toque de tarol”, deixando para trás obras inacabadas como um muro feito pela metade, e ao seu lado a argamassa que usavam inclusive os instrumentos, todos abandonados. 

Por muito tempo, especulou-se sobre o que fez com que aquele povo abandonasse a sua cidade, mas, recentemente, descobriu-se que esta cidade foi vítima de uma estiagem prolongada que deixou-a completamente sem água. De manhã, ao tomar banho, pensei nos Maias e no que sentiram enquanto abandonavam sua cidade, imaginando São Paulo sendo abandonada por milhões de pessoas sedentas, caso a estiagem que sofremos se prolongue além do que se espera. Fiquei muito ansioso, e esta ansiedade me fez tomar uma atitude: fechei o registro enquanto me ensaboava.


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